Há mais de três anos, a Conservação Internacional (CI-Brasil), com o apoio do Serviço de Pesca e Fauna dos Estados Unidos (em inglês, US Fish and Wildlife Service) iniciou o trabalho de coleta de informações sobre as espécies de aves que usam áreas do território brasileiro apenas durante seu período não-reprodutivo, como, por exemplo, as espécies migrantes neárticas (que são aquelas que se reproduzem no Hemisfério Norte, mas passam o período não-reprodutivo no Hemisfério Sul).
Isso posto, consultou a comunidade ornitológica brasileira, além de pesquisadores que já desenvolviam estudos em áreas com ocorrência confirmada de espécies migratórias, até chegar a um resultado final: a publicação “Conservação de Aves Migratórias Neárticas no Brasil”, que apresenta 74 trabalhos de 90 especialistas das cinco regiões do País.
“Foi definida uma lista preliminar das espécies que poderiam ser classificadas como migrantes neárticas. Depois, foi estruturado um modelo básico para orientar a forma como as informações sobre cada uma das áreas deveriam ser apresentadas. Por fim, foi lançado um convite aberto para que toda a comunidade de ornitólogos brasileiros pudesse contribuir com artigos de síntese sobre as áreas usadas pelas aves migrantes neárticas”, explica Renata Valente, bióloga e co-organizadora da publicação.
Muitos pesquisadores aproveitaram a oportunidade para consolidar pesquisas já realizadas e publicar material inédito. “Este é um trabalho pioneiro por reunir e sintetizar em uma única publicação dados e informações sobre a ocorrência de aves migratórias neárticas no Brasil. Portanto, é um passo importante para organizar o conhecimento atual sobre a distribuição e a conservação dessas aves no País”, avalia Renata Valente.
Além dela, o grupo de organizadores inclui os ornitólogos José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente executivo da Conservação Internacional; Fernando Costa Straube, diretor-técnico da consultoria Hori Bio e João Luiz Xavier do Nascimento, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O objetivo deles ao conceber o livro foi gerar o primeiro catálogo de áreas importantes para as aves migratórias neárticas no Brasil e suprir lacunas do conhecimento sobre essas espécies no país. Segundo Guy B. Folks, do Serviço de Pesca e Fauna dos Estados Unidos, o rápido declínio das populações de algumas espécies de aves migratórias faz com que ações de conservação sejam urgentes.
“O caso do maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus rufa) é um exemplo; esta espécie realiza uma das mais longas migrações, partindo do Ártico e indo até o Sul da América do Sul, passando pelo Brasil, e desde os anos 90 tem tido uma redução drástica em sua população”, revela Folks. Outras espécies que sofrem a mesma ameaça incluem o vira-pedras (Arenaria interpres) e o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla).
“Esse foi um esforço importante da comunidade científica brasileira e as informações consolidadas nesse volume poderão servir como base para na elaboração de estratégias para a conservação desse grupo no país”, explica Patrícia Baião, diretora do Programa Amazônia da Conservação Internacional.
Um dos destaques da publicação é um guia fotográfico de todas as espécies citadas, além de mapas de ocorrências em todo o Brasil. A publicação impressa está sendo distribuída para universidades, centro de pesquisas, autoridades de área ambiental. Já a versão eletrônica integral está disponível para download no site http://www.conservacao.org/publicacoes/aves_migratorias.php.
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Autor: Terra da Gente
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