24 de Maio de 2012
Olha esta foto tirada da passarela em frente ao Aeroporto de Congonhas, que mostra o trânsito parado no corredor formado pelas avenidas 23 de Maio e Washington Luís, um dos principais eixos que cortam a cidade de Norte a Sul. Agora imagine a sensação dos milhares de motoristas que perderam horas e horas de vida não fazendo mais do que apertar e puxar o pé nos pedais. Milhares de pessoas paradas, emitindo e respirando fumaça em um desperdício absurdo e sem sentido de tempo e de recursos naturais.
Tenso, certo?
Isso aconteceu na quarta-feira. Também. Mas, não, as fotos acima não são do dia da greve. Elas foram tiradas na segunda-feira, 21. Em dias em que há agravantes, como a paralisação dos metroviários, o caos fica mais evidente, dramático e difícil de aceitar. Mas, como dito no começo deste texto, o colapso nos transportes de São Paulo está longe de ser pontual. O absurdo virou rotina e não é de hoje.
O trânsito da cidade faliu e a responsabilidade tem que ser compartilhada. Mais do que, em uma análise rasa e simplista, culpar somente os metroviários (ou em outras ocasiões a chuva, ou o feriado, ou um acidente) e reclamar, é melhor aproveitar que fomos forçados a parar (literalmente) e estabelecer conexões. Claro que, em vez de cruzar os braços, os operadores dos trens poderiam, sob o risco de punições severas e até responsabilização legal, simplesmente abrir as catracas e deixar de cobrar da população como protesto – alternativa que chegou a ser proposta para o Governo Estadual e recusada. Mas será que são eles, os que decidiram chamar a atenção para um problema que se agrava, para a decadência do sistema de transportes sob trilhos na cidade, que têm que ser unicamente responsabilizados pelo colapso no trânsito desta quarta-feira? A qualidade do metrô se deteriora, o sistema ficou mais caro e os trens mais lotados. Em algumas linhas, as filas para pegar um trem saem para a rua. Em outras, simplesmente não dá para entrar se você não aceita ficar esmagado - o que ninguém deveria aceitar. Mais gente abandona o sistema. E o número de carros aumenta. E as ruas estão cada vez mais entupidas.
De quem é a culpa?
Qual a responsabilidade do Governo Federal, que continua estimulando a compra e circulação de carros e mais carros e recentemente anunciou mais uma redução de Impostos sobre Produtos Industrializados? Qual a culpa dos Governos Estaduais e Municipal, que seguem priorizando melhorias na infraestrutura para o transporte individual (leia-se ampliação de avenidas, viadutos, pontes e túneis) em detrimento de transporte público coletivo? Que papel tem a minoria da população que, por falta de alternativas decentes, conforto, comodidade ou luxo, opta por se deslocar em automóveis, prejudicando a maioria dos que vivem na cidade.
Qual o sentido em continuar separando nos jornais as notícias sobre economia e cidades? Em ler, em uma página que, viva, a redução de IPI vai aquecer a economia, e, em outra, que, droga, o trânsito está cada vez pior? Qual o prejuízo provocado por tantos congestionamentos? Quanto, todos nós, pagamos em saúde pela fumaça que cobre a cidade? Faz mesmo sentido viver em meio à tanta poluição? Quem são os responsáveis por vivermos parados no trânsito engolindo um ar tóxico, meio surdos por conta do barulho?
O silêncio, às vezes, é que incomoda. Mas já que temos com regularidade ficado parados, que paremos para pensar por alguns instantes.
Autor: O Eco
Leia mais http://www.oeco.com.br/outrasvias/26031-sao-paulo-parada-e-os-impactos-da-reducao-de-ipi-para-carros
| < Anterior | Próximo > |
|---|






