Vandré Fonseca
13 de Maio de 2012
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Só que ninguém ainda havia descoberto onde estas aves iam parar durante o semestre frio do hemisfério norte. Até que pesquisadores americanos descobriram, usando geolocalizadores, que elas viajam cerca de 7 mil quilômetros. O destino desse discreto visitante é o oeste do estado do Amazonas, onde buscam refúgio em uma vasta região que vai desde áreas banhadas pelo Rio Japurá, ao norte, até o interflúvio Madeira-Purus, ao Sul. O estudo foi publicado no mês de março no jornal da Sociedade Wilson de Ornitologia.
Durante esse período, os pássaros podem ser encontrados também no Peru, Colômbia e Venezuela.
Havia apenas um registro desse andorinhão na América do Sul, ao longo do rio Cauca, na Colômbia, onde um grupo pequeno foi observado em rochas próximas ao rio junto com outra espécie, o taperuçu-de-coleira-branca (Streptoprocne zonaris), indicando que bancos de rochas em rios são usadas durante a migração.
Para resolver o mistério, considerado um dos mais intrigantes da ornitologia, em 2009, os pesquisadores capturaram andorinhões em ninhos do estado americano do Colorado, nos quais fixaram o equipamento que registra e armazena dados da localização. Três desses pássaros foram recapturados, o que permitiu aos pesquisadores obterem as informações sobre onde as aves estiveram e em que período.
A partir dos registros, é possível concluir que agora é a época dos andorinhões se despedirem da Amazônia para voltarem à América do Norte. Os pássaros recapturados pelos pesquisadores iniciaram a migração entre 10 e 19 de setembro e chegaram ao Brasil entre o dia 28 daquele mês e 12 de outubro. A viagem de retorno começou de 9 a 20 de maio e terminou entre 28 de maio e 18 de junho. Os dados demonstram que as aves passaram cerca de 220 dias no Brasil. Os andorinhões-pretos-americanos viajam até 390 quilômetros em apenas um dia, ao longo do México e América Central.
O andorinhão-preto-americano é protegido por leis nos Estados Unidos e México, mas a população da espécie decaiu 6,3% ao ano, entre 1966 e 2001. A perda de habitat e redução dos insetos usados na alimentação, devido ao uso de pesticidas, são apontadas como potenciais causas deste declínio. Para os pesquisadores americanos, com a descoberta, o desmatamento na Amazônia se torna mais um fator preocupante na preservação dessa ave.
Autor: O Eco
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