Um estudo feito em parceria entre botânicos de São Paulo e dos Estados Unidos prevê que samambaias podem auxiliar na produção de biocombustíveis e papéis com características especiais. A razão: a descoberta de que a parede celular de algumas espécies apresenta uma composição diferente daquela encontrada em outras plantas.
Em outras palavras, eles acreditam ter identificado um terceiro tipo de parede celular, rica em um açúcar (manose) que aparece em proporções baixas nas espécies anteriormente conhecidas. Esse “achado” desfaz o pressuposto de que qualquer planta deveria ter um dos dois tipos de parede celular identificados até agora.
Como se fosse um esqueleto externo, a parede celular reveste as células vegetais, conferindo-lhes resistência mecânica, proteção contra predadores, porosidade à água, a nutrientes e à luz solar. Essencialmente essa estrutura de revestimento consiste em uma teia de microfibras de variados açúcares.
No estudo desenvolvido no Instituto de Botânica com avencas (Adiantum raddianum) e outras espécies de samambaias, mostrou que a proporção de açúcares na parede celular destas era diferente das encontradas nas paredes tipo 1 (ricas em xiloglucano) e tipo 2 (ricas em arabinoxilano) de outras espécies vegetais.
Nas samambaias a manose é o principal componente da parede celular, e pode estar relacionada a uma maior permeabilidade e porosidade delas, permitindo um crescimento mais rápido. Entre outras aplicações, esta informação pode possibilitar a produção de papéis de melhor qualidade. Sabe-se que as propriedades do papel variam com a adição de diferentes tipos de açúcares, sendo mais resistentes e rasgando menos os que contêm maiores quantidades de manose. Por ser tão abundante nas samambaias, a manose também poderia ser usada para produzir biocombustíveis, através da fermentação por leveduras.
Autor: Terra da Gente
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