Três décadas. Este foi o tempo aproximado que o Parque Nacional das Emas, criado em 1961, entre os municípios de Mineiros, Chapadão do Céu e Serranópolis (em Goiás), e de Costa Rica (MS), permaneceu isolado do Rio Araguaia, por conta da ausência de um corredor de ligação. Esse “reencontro” terá novamente a sua conexão de biodiversidade restabelecida com a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Nascentes do Rio Araguaia.
Com 390,18 hectares, a portaria que cria a unidade de conservação (UC) foi publicada na semana passada, no Diário Oficial da União. Ela é o resultado do compromisso com a sustentabilidade econômica e ambiental do empresário e agropecuarista Milton Fries. Vale ressaltar: ele foi além das exigências do Programa de Revisão, Regularização e Monitoramento das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente (Prolegal), ao qual aderiu. A sua RPPN, agora criada oficialmente, terá área total de 720 hectares e será protegida de forma perpétua.
Com o intuito de acelerar a reconstituição do Corredor Ecológico, o agropecuarista iniciou em novembro de 2010 a recuperação de uma área de 21 hectares que faz ligação entre o Parque Nacional das Emas e o Rio Araguaia. O trabalho de reflorestamento terá continuidade com o plantio de mudas nativas do Cerrado em aproximadamente 150 hectares (que anteriormente eram utilizados para a produção de grãos e criação de gado).
O restabelecimento da conexão do Parque Nacional das Emas com o Rio Araguaia é de fundamental importância para a formação do corredor de biodiversidade do Rio Araguaia. Além disso, a execução do programa levará a adequações nas rodovias que margeiam o parque visando à diminuição dos atropelamentos de animais silvestres.
O chefe do Parque Nacional das Emas, Marcos Cunha, comemorou a iniciativa. “É uma conexão que foi relegada, mas agora encontrou alguém sensível à causa da conservação”, afirma. Ele enfatiza que a RPPN é continua ao parque e está em adiantado processo de recuperação com o plantio de mudas e outras ações necessárias para a boa gestão da unidade de conservação. Os diretores do Instituto Onça-Pintada (IOP), Leandro Silveira e Anah Jácomo, avaliam que a decisão do proprietário é crucial para a união dos biomas.
Emas têm população expressiva
O nome Parque Nacional das Emas faz uma referência a um dos animais mais comuns do Cerrado. Ela é a maior ave brasileira e apresenta uma população bastante expressiva naquela região.
Soma-se a isso, a unidade é uma das maiores em extensão territorial onde estão representadas quase todas as formas do bioma Cerrado (e com pouca intervenção humana).
A flora é exuberante, com vasta riqueza de espécies. No quesito fauna, chama a atenção a quantidade de espécies raras e ameaçadas de extinção, como a onça-pintada (Panthera onca), o tatu-canastra (Priodontes maximus), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), o bacurau-do-rabo-branco (Eleotreptus candicans), o redescoberto tiê-bicudo (Conothraupis mesoleuca), entre outros animais.
O PNE é considerado uma das áreas núcleo do Corredor de Biodiversidade Cerrado-Pantanal. Em 2001 recebeu o título conferido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera do Pantanal. Sua área e seu entorno possuem nascentes de importantes rios como o Formoso, Jacuba, Araguaia e o Sucuriú.
Além disso, as áreas limítrofes do Parque Nacional das Emas apresentam um grande complexo de sítios arqueológicos, situados nos vales dos rios Verdinho e Corrente.
Autor: Terra da Gente
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