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Entrevistas

Sandro Von Matter (ABOA), Jon Fjeldså (Museu de História Natural da Dinamarca), Márcio Repenning (Lab. Ornitologia PUC Porto Alegre), Carla Fontana (Sociedade Brasileira de Ornitologia) -  foto: Mariana Gonçalves Meses atrás soubemos da criação da ABOA - Associação Brasileira de Observadores de Aves, desde então tentamos vários contatos com diversos nomes citados mas todos redirecionavam à um dos principais idealizadores do projeto, Sandro Von Matter.

Sandro é biólogo especializado em ecologia e com extensa formação acadêmica nas biociências e já está na estrada há muito tempo. Foi idealizador e co-fundador de dois dos principais meios de comunicação entre os estudiosos da vida das aves do Brasil, A Lista de Discussão sobre Ornitologia pela internet "Ornitobr" e a rede social de ornitólogos "Ornitoweb". 

Um entusiasta da popularização da prática da Observação de Aves no Brasil ajudou a fundar a ABOA, fruto de nossa conversa:

1) Olá Sandro, obrigado por nos ceder esta entrevista! Conte-nos um pouco do que é a Aboa e como ela surgiu.

Olá Eric e demais leitores do Birdwatcher Brasil, primeiramente gostaria de expressar meus mais sinceros agradecimentos ao portal Birdwatcher pelo gentil convite para esta entrevista.

A Associação Brasileira de Observadores de Aves surgiu a partir dos anseios da comunidade de Observadores brasileiros em torno da criação de uma organização representativa que integrasse a nível nacional todas as pessoas, grupos e instituições interessadas em admirar e proteger as aves silvestres em seu habitat natural.

As primeiras discussões sobre a fundação da entidade tiveram início ainda em 2010 durante o 25º Congresso Internacional de Ornitologia (a mais antiga e mais importante conferência científica internacional sobre aves), pouco menos de 1 ano depois a idéia de se criar uma Associação de Observadores seria finalmente concretizada.

Assim nasceu a ABOA uma associação civil sem fins lucrativos, que pretende representar todos nós Observadores perante governo e sociedade civil. A fundação desta associação é parte de uma revolução silenciosa porém de enorme importância para proteção e conservação das aves brasileiras e seus biomas onde cada um de nós Observadores estará assumindo o papel de protagonista.

2) Quais os princípios de seu estatuto e como funciona?

Os principais objetivos previstos no estatuto de nossa organização são: Integrar e congregar todos os interessados na prática da Observação de Aves; criar instrumentos para estimular, facilitar e difundir a prática da observação de aves entre leigos (adultos e crianças); desenvolver projetos e ferramentas visando à promoção gratuita da educação ambiental e do desenvolvimento sustentável através da Observação de Aves; promover o voluntariado; e acima de tudo defender os interesses dos Observadores, tendo em vista o reconhecimento do respeito pela sua pessoa, de sua liberdade de atuação, de opinião, bem como do direito aos meios necessários à realização de sua atividade.

Além destes princípios fundamentais a Associação pretende ainda fomentar uma série de ações relacionadas a Observação de Aves que vão desde proporcionar apoio logístico e institucional a formação de Clubes de Observadores de Aves por todo o país, representar nossa comunidade perante o governo federal, realizar parcerias com o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério do Turismo, fornecer selos e certificações a profissionais e entidades particulares relacionadas ao turismo de Observação e Aves a até mesmo disponibilizar cursos de formação para observadores, guias e profissionais da área.

Quanto ao funcionamento, basicamente a ABOA apresenta a mesma estrutura organizacional e funcionamento que qualquer outra ONG, contando com Diretoria Executiva, Conselho e Assembléia Geral. O grande diferencial de nossa ONG é o modo pelo qual os membros poderão expressar suas opiniões e assumir posições sempre que forem convocados, todas as nossas eleições e votações serão realizadas exclusivamente através da Internet, a exemplo de diversas associações internacionais de prestígio e de uma das mais renomadas sociedades brasileiras a SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

3) Os diretores foram nomeados por você? Quem são e quais serão suas funções?

Na verdade os diretores e todos os demais organizadores da associação não foram “nomeados”, após um longo processo democrático de discussão dezenas de pessoas envolvidas com Observação de Aves foram convidadas a contribuir das mais variadas maneiras com a nossa iniciativa, não apenas juntando-se a nossa diretoria como também contribuindo com outros aspectos relacionados a Associação. Felizmente a ABOA tem a honra de contar com o apoio de verdadeiras lendas da Observação de Aves da América Latina aliás quero aqui agradecer publicamente a todos que entendem a importância desta associação e que de uma forma ou de outra estão a apoiando.

Gostaria de ressaltar para os colegas Observadores que nossa Associação é feita “por” e para “cada” um de nossos membros, por este motivo foi fundamental que nossos diretores e colaboradores representassem da forma mais abrangente possível os mais diversos grupos e setores envolvidos com a prática da Observação de Aves em nosso país, assim como as diferentes regiões geográficas do Brasil.

Para cumprir com este objetivo mantendo-se fiel ao nosso ideal, liderei com o apoio indispensável de muitos colaboradores um estudo aprofundado das principais contribuições dadas para a disseminação da Observação de Aves em nosso país, não apenas nesta última década mais ao longo de toda a história desta prática.

Foram dezenas de conversas, muita pesquisa e diversos contatos em uma iniciativa pioneira com início em 2010 na ocasião do 25º Congresso Internacional de Ornitologia (International Ornithological Congress - IOC) para finalmente após 1 ano reunir nomes que de alguma forma influenciaram os rumos do Birdwatching no Brasil, colegas com experiência em ONGs como o Greenpeace, autores de livros de Identificação de Aves, alguns dos mais renomados fotógrafos de aves, cientistas consagrados na pesquisa ornitológica, administradores de alguns dos sites sobre aves mais populares do mundo, representantes de vários estados e de várias gerações em torno de um único ideal.

Cerca de um mês depois surgia a ABOA e já dava seus primeiros passos representando os Observadores Brasileiros em eventos na América Latina e em reuniões preparatórias da conferência da ONU Rio + 20, e este é apenas o começo!

Hoje após alguns meses de existência, contamos com centenas de membros, mais de 20 diretores e diversos representantes regionais, núcleos e grupos de estudo. Até por isso seria inviável citar aqui todos os colaboradores, porém toda a informação está disponível em nosso site e será um prazer receber a visita dos leitores, em breve irá ao ar um portal inteiro dedicado ao assunto.

4) Qual será o papel dos associados?

Cada um de nossos Associados desempenhará um papel único e singular em nossa Associação, todas as nossas iniciativas, projetos, decisões, posicionamentos, cada pequeno detalhe passará em algum momento pela aprovação e escolha de cada um de nossos membros.

Eu diria que nossa Associação poderia ser traduzida como um rosto gigantesco formado por um imenso mosaico de pequenas peças diferentes cada qual com sua particularidade que juntas dão vida e movimento a este rosto possibilitando a ele se expressar, este rosto formado por todas estas peças será a nossa Associação. Cada pequena peça deste mosaico é um de nossos membros, caberá a todos nós o direito e o dever de manter nossa comunidade viva e atuante.

5) Qual a sua visão e da Aboa sobre o birdwatching no Brasil?

Antes de tudo é preciso lembrar que nós brasileiros importamos o termo “Birdwatching” mas não importamos a Observação de Aves em si, afinal nós sempre observamos as aves pois somos um dos povos com maior proximidade com a natureza no mundo. Existem registros de que nossos índios já praticavam a atividade e a compartilharam com os primeiros colonizadores europeus. Na época do império inúmeros naturalistas passaram pelo país observando e registrando nossas aves, sem citar as inúmeras referências a “aves” presentes em nossas músicas, poesias, lendas e fábulas. Não foi á toa que antes de nosso país chamar-se Brasil ele chamava-se “Terra dos Papagaios”. Há décadas centenas de pessoas praticam a Observação de Aves no Brasil, entretanto como no passado muitas até hoje a praticam sem sequer saber que o que elas fazem na verdade é uma atividade famosa em todo o mundo, o Birdwatching.

A Observação de Aves na forma de um atividade de lazer diferenciada, como ela é mais conhecida hoje, cresce exponencialmente no país, influenciada principalmente por uma série de iniciativas concomitantes que vêm não apenas impulsionando a sua popularização, mas especialmente aproximando os interessados na atividade por todo o país. A internet diminuiu distâncias e estreitou os laços aproximando pessoas com interesses em comum, o que trouxe grandes benefícios também para nós Observadores de Aves.

Não será surpresa se em pouco tempo o Brasil se tornar uma das maiores potências do Birdwatching no mundo, afinal o país se destaca entre os países mais cobiçados pelos estrangeiros para a prática, atualmente perdendo apenas para a Colômbia em número de espécies de aves que conta com 1.819 espécies registradas enquanto nós possuímos 1.757 espécies, o que pode facilmente ser superado pelo fato de que o número de espécies endêmicas (que ocorrem unicamente em uma região) no Brasil ser significativamente maior, com nada menos que 211 espécies enquanto que a Colômbia possui apenas 72.

Vale ressaltar que A Observação de Aves é um hobby maravilhoso mas não se restringe somente a isso, em um novo cenário criado pela revolução sócio-ambiental nós Observadores cada vez mais assumimos um papel de grande importância para a preservação do meio ambiente.

Observadores de Aves brasileiros, por exemplo, já produzem dados que auxiliam cientistas no estudo dos mais diversos aspectos da vida das aves, como também na preservação e conservação de seus respectivos ecossistemas.

A Observação de Aves é ainda uma atividade sustentável, que pode ser utilizada na geração de renda para comunidades que vivem próxima a áreas de preservação com um impacto mínimo ao meio ambiente. Através do estímulo da prática da Observação de Aves por populações locais pode-se fomentar a proteção não apenas das aves mas de todo o ecossistema no qual estas espécies encontram-se inseridas, e não apenas a proteção do ecossistema em si como também a mudança de atitude nas pessoas ao oferecer uma alternativa saudável de apreciar as aves em liberdade a grupos que no passado as aprisionavam.

É importante citar aqui um exemplo incrível de como o amor pelas aves pode, e deve fomentar mudanças extraordinárias, um dos projetos internacionais de maior destaque na área é o “Birds as peacemakers in the middle east”, ou em português Aves como pacificadoras no Oriente Médio, este projeto conseguiu nada menos que unir Israelenses e Palestinos em torno da preservação das aves, a iniciativa é um sucesso há mais de 15 anos.

E por que não utilizar a prática da Observação de Aves para reduzir a criminalidade em comunidades carentes? Sim é possível! É possível oferecer aos jovens destas comunidades a oportunidade de apreciar a natureza, de multiplicar este conhecimento e até mesmo de realizar uma formação como Guias de Observação de Aves, e este é apenas mais um dos objetivos da Associação Brasileira de Observadores.

Um novo mundo está se mostrando para todos os envolvidos com a Observação de Aves no Brasil, um mundo repleto de novas oportunidades mas também de novas responsabilidades, onde a sociedade civil poderá auxiliar significativamente o governo e a comunidade acadêmica na proteção da natureza e no desenvolvimento sustentável. A hora é agora.

6) Deixe os dados de contato e de associação para a Aboa.

A Associação Brasileira de Observadores de Aves é um patrimônio de todos os Observadores, mas ela só atingirá seus objetivos se receber o apoio de todos os apaixonados por aves no país, por isso é de extrema importância que todos participem.

Visite no site e associe-se gratuitamente leva apenas 60 segundos, nos escreva, envie sua dúvida ou crítica, nós teremos um enorme prazer em oferecer todo o suporte necessário para que você crie um Clube de Observadores na sua região ou lhe indicaremos o Clube mais próximo.

Venha fazer parte de nossa comunidade estamos esperando por você, junte-se ao bando!

Site da Associação Brasileira de Observadores de Aves:
http://www.aboaves.org

Site do projeto “Birds as peacemakers”
http://www.birds.org.il/SIP_STORAGE/FILES/4/1424.pdf

Para me contactar pessoalmente basta escrever para:
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Sandro Von Matter e a ABOA - Associação Brasileira de Observadores de Aves

O Rizzo de Ubatuba

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Carlos Rizzo Com olhar sereno, barbas compridas e grisalhas e um ar de sensata experiência nata de grandes pessoas, Rizzo exala uma aura birdwatcher. Esteticamente e conceitualmente ele é um observador de aves daqueles dos quais nos orgulhamos de ter em nosso país. Figura presente quando o assunto é Ubatuba, esse experiente guia e capacitador é um estandarte da observação de aves, preservação e estruturação do turismo de observação da natureza. "Estamos há 300 anos estragando o planeta com a certeza que a natureza está aí para nos servir e apenas há 20 anos tentando nos educar em preservar" - É com este pensamento que as matas do litoral norte paulista, outrora apenas degradada, agora sorri. Com vocês, o Rizzo de Ubatuba.

1) Comece nos contando um pouco de quem é Carlos Rizzo, sua história, com o que trabalha, qual sua formação, orígem, há quanto tempo observa aves:

Primeiro quero agradecer a oportunidade oferecida pela revista de ampliar a divulgação do nosso trabalho.
Nasci em Itapuí SP em 1954 e em 1965 tinha 11 anos quando fiz a minha primeira viagem para observar a chegada da Progne subis no interior de São Paulo. As andorinhas foram as minhas primeiras aves de interesse. Estudei sociologia, mas não sou graduado, sou marceneiro dos poucos formados e diplomado. Marcenaria é uma tradição na família.
Mudei para Ubatuba em 1980 e aqui descobri a observação de aves em 1981 na Fazenda Capricórnio. Em 1995 consegui adquirir uma parte da Fazenda e decidi me dedicar a observação, primeiro com a consolidação das listas que encontrei e depois com a pesquisa. Depois fui conhecendo as aves que já sabia o nome e depois as vocalizações.
Fiz tudo ao contrário, aprendi os nomes, depois as aves, depois as vozes, mas aprendi.

2) Quando falamos no nome Carlos Rizzo, logo associamos à cidade de Ubatuba em São Paulo. Ubatuba tem importantes registros como o recém-descoberto Apuim de costas pretas, além de outros que falaremos mais tarde, qual a importância desse município para a avifauna nacional?

Hoje Ubatuba vai muito além do meu trabalho, continuo sendo somente o mais barulhento, temos muito mais gente envolvida: Dimitri Matoszko, Jonas D’Abronzo, Secretaria Municipal do Meio Ambiente,  Parque Estadual da Serra do Mar, Ilha Anchieta, Sindicato do Hotéis (SINHORES) Associação dos Restaurantes, Associação Comercial, Ubatuba em Revista só para citar alguns. Para se ter uma idéia quando foi lançado o wikiaves o Dimitri foi o primeiro a se cadastrar e eu o segundo de Ubatuba, ficamos nós dois um bom tempo. Hoje temos 97 pessoas de Ubatuba postando no wikiaves
Basta ver as estatísticas do wikiaves, Ubatuba está em terceiro lugar na classificação nacional, além disso Ubatuba está no eixo Rio-São Paulo o que facilita muito aos observadores dos dois maiores centros do Brasil.. Porém o wikiaves é uma amostragem das ocorrências, não é um checklist do local. Todo município que pretende desenvolver a observação deve ter e manter seu checklist. O primeiro checklist de Ubatuba nós fizemos em 1995, foi atualizado em 2000, 2006 e agora mantemos ele digital (www.projetoaves.com.br) estamos com 563 espécies, 67 endêmicas (30%da avifauna nacional). Para a avifauna nacional, Ubatuba tem a importância histórica, tem diversidade e preservação, pois mais de 85% da área do município está em área de Unidade de Conservação.
Desde 1975 com o registro do anambézinho, Iodopleura pipra, sempre tivemos novos e agradáveis registros, em 2006 foi o apuim e tenho a convicção que logo teremos a Calyptura cristata.

Alunos da escola Tancredo - Curso de turismo 3) Conte-nos sobre os projetos Dacnis e UbatubaBirds

Quando começamos em 1995 era Guiratyba (lugar de aves em tupi-guarani) mudamos para ubatubabirds em 2002 por conta das buscas na internet, um japonês jamais procuraria pelo nome tupi. Em 2004 um grupo de empresários reconheceu a atividade de observação como uma boa alternativa para o turismo de baixa temporada e solicitou aos candidatos a inclusão do item na administração. O prefeito eleito em 2005 manteve a palavra a observação de aves foi para a secretaria de turismo, e no ano seguinte para o Meio Ambiente onde está até hoje. Nosso projeto na administração chama-se “Abrindo janelas para o Mundo” e trabalhamos em quatro vertentes: Educação Ambiental nas escolas (mais de sete mil crianças capacitadas) Envolvimento com as comunidades do entorno das Unidades de Conservação no Município, como guias, receptivo e artesanato utilizando o Turismo de Base Comunitária, manutenção do checklist atualizado, e geração de mídia positiva para a cidade.
O Projeto Dacnis é uma ONG fundada em 2011 com o objetivo “Mata Atlântica” em sua totalidade está instalada num bairro afastado e pretende envolver a comunidade com conhecimento e parceria na preservação. Tem um lado forte de pesquisa pura. Faço parte dela na área de aves na Educação Ambiental.

4) A sociedade e o turismo brasileiro está preparado para acolher a prática do birdwatching?

Vou falar por exemplos reais de o quanto estamos envolvidos. Outro dia parei numa trilha completamente abandonada e deserta. Quando saí do carro vi três sujeitos saindo do mato e vindo na minha direção. Tive a certeza que tinha entrado numa fria, mas disfarcei e fiquei olhando para o mato. Eles foram se aproximando e conversando alto, até o momento que ouvi um deles falar: Fala baixo! O cara lá é observador de passarinho! Passaram por mim calados, me cumprimentaram com respeito e, foram embora.
A Marta Argel esteve este final de semana em Ubatuba e estava me contando que ficou impressionada com o conhecimento sobre as aves demonstrado pelas cozinheiras e arrumadeiras da pousada onde ficou. As comunidades do entorno do Parque se sentem naturalmente incluídas na observação. Isto é uma coisa que sempre me surpreende. O brasileiro é um observador nato, impossível não ser com tanta natureza que temos a nossa volta, faltava ferramentas às comunidades, faltava informações, faltava diálogo e o que vemos hoje é o envolvimento de todas as camadas da população.
Teve uma escola de Portugal fazendo estudo de caso com a observação de aves aqui em Ubatuba. Quando me perguntaram sobre o envolvimento da comunidade, convidei para dar uma volta pela cidade.Voltaram impressionados com a quantidade de gente que veio conversar com a gente. Esse é um diferencial de Ubatuba.

Entrega de certificados aos monitores do Cambuca PESM WWF E PMU 5) Você acredita que o Birdwatching cresceu no Brasil nos últimos anos? Quais fatores influenciaram seu crescimento?

Cresceu muito e vai continuar a crescer mais ainda!
No ano de 2000 fizemos uma pesquisa para traçar o perfil do observador de aves que visitava Ubatuba, naquela época notamos que os estrangeiros eventualmente dormiam uma noite na cidade, em 2010 notamos que o turista estrangeiro tem ficado na cidade de três a quatro dias. Em 2000 não havia turista brasileiro, em 2010 o brasileiro já apareceu com força total, inclusive superando os estrangeiros.
Acho que uma série de fatores foram colaborando para isso. Hoje em Ubatuba o turista estrangeiro se sente em casa (em 2000 era um ser estranho) Todo o receptivo de Ubatuba foi capacitado para este tipo de turismo, tenho vários relatos de estrangeiros que ficaram felizes por serem reconhecidos e respeitadas pelas crianças e pela comunidade isso esta refletido na permanência na cidade utilizando nossos serviços.
Nosso primeiro Festival de Observação em 2006 teve umas duzentas pessoas, o 6º em 2011 envolveu mas de 10 mil pessoas aqui em Ubatuba.
De todas as crianças que trabalhamos nesses anos saíram vários observadores, eles me encontram pelas ruas e vem correndo contar as novidades. Os pais ficam impressionados com o interesse dos filhos, vem perguntar de binóculo, de máquina fotográfica para os filhos e muitos deles passaram a observar a partir dos filhos.

Turismo de base comunitario no sertão da Quina 6) Existem muitas diferenças entre os birders brasileiros e "gringos" ? Quais são?

Acho que não tem muitas diferenças, pois basicamente todos são observadores, o estrangeiro utiliza mais o binóculo ao passo que o brasileiro usa mais a câmara fotográfica, muitos dos brasileiros são fotógrafos que utilizam as aves como tema e não são observadores, do mesmo jeito que muitos estrangeiros são simples naturistas.
Temos que considerar que no exterior a atividade de observação se desenvolveu numa época em que o binóculo era a melhor ferramenta e que o brasileiro começou a observar numa época com acesso a inúmeras e mais avançadas tecnologias. O brasileiro fotografa, posta no wikiaves, troca comentários com o Brasil inteiro, e assim, estuda as aves de uma maneira mais interativa. O estrangeiro carrega a imagem introjetada pelo binóculo, o brasileiro gosta de conquistar e mostrar o “troféu”. Claro que temos grandes diferenças culturais, mas não vejo diferenças significativas como observadores. Muitas idosas dos Estados Unidos cuja idade já não permite caminhadas observam as aves que vocalizam nos filmes comerciais, fazem a sua lista e trocam com as amigas. Com certeza elas não são menos observadoras do que nós. Como diz o Guto Carvalho observar é um estilo de vida, e completo: Observar não é um padrão cartesiano. Relaxa e observa que você vai relaxar mais ainda, é bom pra caramba!!

Exposição de fotos e palestras para alunos7) Mais observadores de aves no Brasil significa mais conservação do meio ambiente?

Neste primeiro momento significa apenas mais conhecimento. Muitos brasileiros estão aprendendo “Brasil” a partir das aves e alguns já estão atentando para a conservação. Temos que respeitar este tempo entre conhecimento e o ativismo. Tempos atrás muitos brasileiros que tinham possibilidade de viajar para o exterior, jamais pensavam em viajar pelo Brasil, antes o interior do Brasil era coisa de natureba, pescador ou cientista, hoje é lugar de turista de observação. Antes o turismo de Ubatuba era apenas sol e mar no verão. Hoje muitas pessoas que nos visitam fora da temporada de verão, não tiram os olhos da mata e só olham para o mar em caso de aves marinhas. Se compararmos os estragos permitidos, a noção de preservação é muito recente. Estamos há 300 anos estragando o planeta com a certeza que a natureza está aí para nos servir e apenas há 20 anos tentando nos educar em preservar. Somos doutores em degradação e ainda analfabetos em preservação. Aqui em Ubatuba a observação de aves é uma importante ferramenta para a Educação Ambiental, capacitamos mais de 200 professores, todo ano trabalho com cerca de 500 crianças e muitos professores já fazem trabalhos com a observação de aves sem nenhum envolvimento meu. O sentido da preservação pela valorização da beleza das aves é muito mais inclusivo e eficaz que os “nãos’ impostos pela lei.

8) Em 1996 houve um avistamento da Calyptura cristata em Ubatuba, que em mais de 200 anos desde o seu primeiro registro foi avistada somente três vezes. Desde lá até hoje nunca mais foi avistada esta espécie? Você acredita que ela está por aí ainda ou foi extinta? O que significaria encontrá-la de novo?

Jonas em pé, Carlos Rizzo e Giulio Rizzo, seu fiho Mantemos um evento anual chamado “a captura da Calyptura” desta maneira vamos envolvendo os mais diversos setores da cidade. Mapeamos todos os locais prováveis e devemos receber torres para a busca. Claro que torço para que ela seja avistada, mas não podemos menosprezar os ganhos que estamos tendo em nome da Calyptura. Ninguém acreditava no Tijuca atra em Ubatuba, nós encontramos, todos diziam que a foto do Touit feita Dimitri era bicho de gaiola, olha a febre que virou!
Ainda por conta da Calyptura nós conseguimos a destinação de uma Unidade de Conservação exclusivamente para observação de aves. O Centro Cambucá de Observação criado em 2010 solidifica a parceria Prefeitura e Parque Estadual da Serra do Mar. Tudo em nome das aves.

9) O que você vê de diferente na prática da observação de aves daqui há 10 anos.

Aqui na nossa região, o futuro para é a implementação do Circuito das Aves que criamos no ano passado. De São Paulo ele começa em Mogi das Cruzes, passa por Salesópolis, Caraguatatuba, Ilhabela, seguindo para o sul: São Sebastião, Bertioga, Santos, São Paulo. Seguindo para o norte: Ubatuba, Paraty, Angra e Rio de Janeiro (que também pode começar por aqui). Tudo isso com vistas à Copa de 2014 e Olimpíadas. Acho que daqui para a frente vamos seguir com mais pé no chão sem o deslumbramento que a atividade nos acenou inicialmente.
Mas olhando o geral o mais importante é salientar a quantidade de jovens que o censo de observadores indicou que estão envolvidos com observação, eles são o futuro, eles vão construir a observação de aves no Brasil. Fico impressionado com o conhecimento e seriedade que tenho visto nesses jovens, isso é a coisa mais gratificante.

10) Deixe seu recado para os birdwatchers.

Visite Ubatuba, a capital do birdwatch!

www.ubatubabirds.com.br
Secretaria Municipal de Meio Ambiente (+55 12) 3833 4541

O Rizzo de Ubatuba

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